Resposta rápida: Quais são os principais equipamentos para fisioterapia domiciliar com idoso? Oxímetro, esfigmomanômetro com estetoscópio, faixas elásticas de baixa resistência, caneleiras leves, disco de equilíbrio, step baixo, cones, fita métrica e cinto de transferência.
Terceiro andar, sem elevador, duas bolsas
Dona Lurdes, 81 anos, mora num terceiro andar sem elevador. Na primeira visita eu subi com uma bolsa de ombro, uma mochila e uma bola suíça debaixo do braço. A bola não saiu do saco. Ela tinha medo de sentar nela, e com razão.
Depois de alguns anos de domiciliar, a mala fica menor, não maior. Para o idoso, quase tudo que importa é avaliar risco, medir sinal vital e treinar força e equilíbrio com carga baixa. Isso cabe numa mochila.
Primeiro, o que serve para avaliar
Antes de qualquer exercício eu quero saber se é seguro fazer exercício hoje. Por isso o que nunca sai da mochila:
Oxímetro de dedo e esfigmomanômetro com estetoscópio. Idoso com DPOC, insuficiência cardíaca ou hipertensão mal controlada muda de um dia para o outro. Afiro antes e, se o treino foi mais puxado, depois. Esfigmo digital de pulso é prático, mas em paciente com arritmia eu não confio nele; prefiro o aneroide.
Cronômetro e fita métrica. O celular faz o cronômetro. A fita serve para marcar 3 metros no chão do TUG (Timed Up and Go) e para medir edema. Junto vai um rolo de fita crepe para marcar o chão sem estragar o piso.
Com isso e uma cadeira firme da casa você aplica TUG, sentar e levantar em 30 segundos e o teste de apoio unipodal. A Berg pede um banquinho e um degrau, que a casa quase sempre tem. Goniômetro e martelo de reflexo eu levo na primeira avaliação; nas sessões seguintes, só se for reavaliar.
O que serve para tratar
Faixas elásticas de resistência baixa. As mais leves. A maioria dos meus idosos começa na cor mais fraca do conjunto e fica nela por semanas. Faixa forte demais vira compensação de tronco e ombro, e o paciente desanima.
Caneleiras leves, de meio quilo e de um quilo. Mais pesado que isso eu raramente uso em casa nas primeiras semanas. Se o paciente evoluir, peça para a família comprar a dele e deixe na casa: você para de carregar peso escada acima.
Disco ou almofada de equilíbrio. É o item que mais justifica o espaço na mala. Sempre com o paciente encostado num canto de parede ou com a mão num móvel firme, e você do lado.
Step baixo e cones pequenos. Step de altura baixa para treino de subida, já que a escada de verdade da casa pode ser íngreme demais no começo. Os cones marcam percurso de marcha e dupla tarefa. Copo plástico virado faz o mesmo papel, se você estiver sem espaço.
Cinto de transferência (cinto de marcha). Para mim é obrigatório com idoso de risco alto de queda. Segurar pela roupa ou pelo braço não é contenção. Com o cinto, se ele perder o equilíbrio, você tem onde segurar sem machucar o ombro dele.
Uma lista mais ampla, que vale para outros públicos, está no kit de fisioterapia e na mochila do fisioterapeuta domiciliar.
O que eu deixaria fora da mala
Bola suíça grande. Ocupa espaço, rola pela sala e a maioria dos idosos frágeis não deveria sentar nela sem apoio. Para quem já tem bom controle, tudo bem, mas não é item de primeira visita.
Halteres pesados e kits de elásticos fortes. Peso morto na mochila.
Maca, na maioria dos casos. Para idoso, quase todo o trabalho é em pé, sentado na cadeira ou na própria cama. A maca faz sentido quando há terapia manual frequente ou paciente que não sai da cama baixa; para decidir, veja maca portátil para fisioterapia domiciliar.
Eletroterapia é outra conversa. Um TENS portátil pode entrar para dor crônica, mas ele não substitui o fortalecimento, e eu não começaria o kit por ele.
Ordem de compra quando o orçamento é curto
Não vou falar de preço, porque muda toda semana. Mas a ordem eu sigo há tempo:
1. Oxímetro e esfigmo com estetoscópio. Sem eles, não dá para dizer que o atendimento é seguro.
2. Cinto de transferência.
3. Faixas elásticas leves e um par de caneleiras de meio quilo.
4. Disco de equilíbrio.
5. Step baixo, cones, fita métrica e o resto.
Goniômetro e martelo podem vir num kit de avaliação depois. A primeira semana de atendimento em casa você faz bem com os três primeiros itens e a mobília do paciente.
A casa também é equipamento (e risco)
Na primeira visita eu ando pela casa com o paciente. Não é visita social. É avaliação.
Tapete solto é o primeiro da lista. Peço para tirar ou prender com fita antiderrapante. Às vezes a família resiste porque o tapete é da avó dela. Anoto que orientei e sigo.
Banheiro: olho altura do vaso, se há barra de apoio, piso molhado e se o box tem degrau. Treinar a transferência para o vaso no próprio banheiro dele vale mais que dez sentar e levantar na sala.
A cadeira da cozinha, sem rodinha e sem braço, vira o principal aparelho de fortalecimento. A bancada da pia serve de barra para equilíbrio. O corredor é a pista do treino de marcha. Usar o que existe na casa tem uma vantagem que nenhum aparelho tem: o paciente repete sozinho no dia seguinte.
Sobre condutas e a rotina com idosos em casa, veja fisioterapia domiciliar para idosos.
Onde anotar o que você mediu
Pressão, saturação, TUG e as orientações sobre a casa precisam ir para o prontuário, que a Resolução COFFITO 414/2012 exige. Eu anoto no celular, na hora, ainda na casa do paciente. Se deixar para a noite, metade se perde.
No Fisioly a evolução é registrada pelo celular, e o histórico fica na ficha do paciente para comparar o TUG da primeira avaliação com o de agora. O que ele não faz: não mede nada por sensor, não tem biblioteca de exercícios em vídeo para deixar com o idoso e não manda lembrete automático da visita por WhatsApp. Para montar o preço das visitas, há o artigo de pacote de fisioterapia domiciliar para idoso.
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Quais são os principais equipamentos para fisioterapia domiciliar com idoso?
Oxímetro, esfigmomanômetro com estetoscópio, faixas elásticas de baixa resistência, caneleiras leves, disco de equilíbrio, step baixo, cones, fita métrica e cinto de transferência. O resto a casa costuma ter: cadeira firme, bancada e corredor.
Preciso levar maca para atender idoso em casa?
Na maioria dos casos, não. O trabalho com idoso é feito em pé, sentado ou na própria cama. A maca vale quando há terapia manual frequente ou o paciente fica em cama muito baixa.
O que comprar primeiro com pouco dinheiro?
Oxímetro e aparelho de pressão, depois o cinto de transferência, depois faixas elásticas leves e caneleiras de meio quilo. O disco de equilíbrio vem em seguida.
Bola suíça é boa para fisioterapia em idoso em casa?
Para idoso frágil ou com risco de queda, geralmente não é a primeira escolha: é instável e ocupa espaço. Pode entrar mais tarde para quem já tem bom controle de tronco.
Fontes e referências
- Resolução COFFITO nº 414/2012: prontuário do fisioterapeutaObrigatoriedade do registro em prontuário de cada atendimento.