A resposta curta que ninguém gosta: não existe tabela de fisioterapia domiciliar. O que se pratica no Brasil varia demais entre capital e interior, entre bairro e bairro da mesma cidade, e entre quem atende idoso particular e quem atende repasse de home care. Qualquer número solto que você achar na internet vai estar errado pra alguém.
A resposta útil é outra: existe uma conta. E ela é simples o bastante pra você fazer hoje, num guardanapo, e sair com um piso que não deixa você trabalhar de graça. É isso que vem abaixo — a conta, os erros que estragam ela, e como cobrar diferente de quem mora longe sem parecer que você está inventando taxa.
Por que a sessão domiciliar custa mais que a de consultório
Porque você não está vendendo só a sessão. Está vendendo a sessão mais o deslocamento, mais o tempo que o deslocamento come, mais o desgaste do carro, mais a impossibilidade de encaixar alguém naquele horário. No consultório, se um paciente falta às 15h, ainda dá pra o das 16h chegar mais cedo. No domiciliar, quem faltou levou 1h30 embora.
Tem também um custo que quase ninguém precifica e que é real: a sessão em casa é mais personalizada. Você adapta o exercício ao espaço que existe, orienta cuidador, ajusta ambiente, responde pergunta de familiar na porta. Isso vale mais e leva mais tempo.
💡 Uma referência solta, só pra calibrar expectativa: sessão domiciliar particular costuma sair entre 30% e 70% acima do que o mesmo profissional cobraria no consultório. É uma faixa larga de propósito — a distância média dos seus pacientes muda tudo. Use a conta abaixo, não a faixa.
A conta: como chegar no seu preço mínimo
A lógica é chegar primeiro no piso — o valor abaixo do qual atender é pior do que não atender. O preço final você decide depois, olhando mercado e posicionamento. Mas sem o piso você negocia no escuro.
Passo 1 — quanto você precisa faturar por sessão
Pegue a meta mensal de faturamento e divida pela quantidade realista de sessões. Realista mesmo: 5 atendimentos por dia, 20 dias por mês, é 100 sessões. Não use 8 por dia porque no domiciliar isso não acontece.
R$ 8.000 de meta ÷ 100 sessões/mês = R$ 80 por sessão, só pra bater o faturamento bruto
Passo 2 — some seus custos fixos, diluídos
Celular, internet, sistema de gestão, anuidade do CREFITO rateada por mês, reposição de material, seguro. Some tudo e divida pelas mesmas 100 sessões.
- Custos fixos de R$ 600/mês ÷ 100 sessões = R$ 6 por sessão
Passo 3 — some o deslocamento daquele paciente
Aqui é onde o domiciliar se separa de tudo. O custo não é o mesmo para todo mundo, então ele não pode entrar como média. Some combustível (ou corrida de app), estacionamento e pedágio da ida e da volta.
- Paciente perto (3 km): cerca de R$ 12 por visita
- Paciente longe (18 km): cerca de R$ 40 por visita
Passo 4 — devolva o imposto
Se você é PJ no Simples, uma alíquota de 6% sobre o faturamento é um bom ponto de partida para a conta (confira a sua, que varia com o anexo e o faturamento acumulado). O jeito certo de aplicar é dividir, não somar.
| Componente | Paciente a 3 km | Paciente a 18 km |
|---|---|---|
| Faturamento necessário por sessão | R$ 80 | R$ 80 |
| Custos fixos diluídos | R$ 6 | R$ 6 |
| Deslocamento (ida e volta) | R$ 12 | R$ 40 |
| Subtotal | R$ 98 | R$ 126 |
| Ajuste de imposto (÷ 0,94) | R$ 104 | R$ 134 |
| Piso da sessão | R$ 105 | R$ 135 |
Trinta reais de diferença entre dois pacientes que recebem exatamente a mesma sessão. É desconfortável cobrar isso? No começo, sim. Mas é o que impede que o paciente perto financie o paciente longe sem ninguém perceber.
✅ Teste rápido de sanidade: divida seu preço atual por 1,5 hora. Esse é o seu ganho real por hora ocupada no domiciliar. Compare com o que você ganharia na mesma hora dentro de um consultório. Se o consultório ganha, ou seu preço está baixo ou sua rota está espalhada demais.
Taxa de deslocamento por faixa: a forma mais simples de cobrar
Explicar a conta acima para o paciente é péssima ideia. Ninguém quer ouvir sobre sua alíquota. O que funciona é anunciar um valor de sessão e uma taxa de deslocamento por faixa de distância — igual a frete, que todo mundo já entende.
| Distância do seu ponto de partida | Acréscimo | Observação |
|---|---|---|
| Até 5 km | Sem taxa | Seu raio principal, onde você quer concentrar pacientes |
| 5 a 10 km | + R$ 15 | Aceitável se couber no mesmo dia da região |
| 10 a 20 km | + R$ 30 | Só em dia dedicado àquela região |
| Acima de 20 km | + R$ 50 ou recusa | Costuma valer mais a pena indicar um colega da região |
A vantagem escondida dessa tabela é que ela vende o seu raio. Quando o paciente vê que até 5 km não tem taxa, ele mesmo indica você para os vizinhos — e vizinho de paciente é o melhor tipo de paciente novo que existe no domiciliar.
Sessão avulsa ou pacote fechado?
Pacote, quase sempre. Não pelo desconto — pelo que ele resolve de tabela:
- Você recebe adiantado e para de cobrar na porta toda semana
- A falta cai, porque o paciente já pagou aquela sessão
- Sua previsão de caixa deixa de ser adivinhação
- O tratamento tem mais chance de chegar ao fim, que é o que dá resultado clínico
O erro no pacote é dar desconto sem checar o piso. Se sua sessão fecha em R$ 135 e você dá 15% em dez sessões, cada uma volta pra R$ 115 — abaixo do piso daquele paciente. Um desconto de 5% a 8% costuma ser suficiente pra o pacote parecer vantajoso sem quebrar a conta.
| Formato | Valor unitário | Total | Quando usar |
|---|---|---|---|
| Avulsa | R$ 135 | — | Primeira sessão e paciente ainda em avaliação |
| Pacote 8 sessões | R$ 128 | R$ 1.024 | Tratamento com alta prevista em um mês |
| Pacote 12 sessões | R$ 124 | R$ 1.488 | Crônico ou manutenção de longo prazo |
Cinco erros que derrubam o preço sem você notar
- Copiar o valor do consultório. São operações diferentes. Uma tem sala fixa e encaixe possível; a outra tem carro, trânsito e horário que não se recupera.
- Preço único para a cidade inteira. Funciona até você aceitar o primeiro paciente distante. Depois disso você está trabalhando de graça uma parte do mês.
- Não cobrar a falta. No domiciliar, falta não é hora vaga: é hora vaga mais o deslocamento que talvez você já tenha feito. A regra precisa existir antes da primeira falta acontecer.
- Não lançar o deslocamento como despesa. Se o gasto com Uber e gasolina não aparece em lugar nenhum, o resultado do mês fica bonito no papel e magro na conta.
- Nunca reajustar. Combustível sobe todo ano. Preço parado por três anos é redução de salário disfarçada de fidelidade.
Como reajustar sem perder paciente
Reajuste uma vez por ano, em data fixa — janeiro é a mais fácil de justificar. Avise com 30 dias de antecedência e por escrito, mesmo que seja uma mensagem curta. Duas coisas que ajudam bastante: aplicar primeiro aos pacientes novos (você testa a aceitação do valor sem risco) e oferecer aos antigos a chance de travar o preço antigo comprando um pacote antes da virada.
Na prática, a perda costuma ser bem menor do que o medo. Quem sai por 8% de reajuste normalmente já estava com um pé fora por outro motivo.
Como acompanhar isso mês a mês sem planilha
Toda essa conta só funciona se você souber, no fim do mês, quanto entrou por paciente e quanto saiu de deslocamento por paciente. Em planilha dá pra fazer — e quase ninguém mantém, porque significa digitar duas vezes: uma no lançamento e outra na consolidação.
No Fisioly isso fica no mesmo lugar em que você já registra a sessão:
Despesa de deslocamento vinculada ao paciente
Uber, 99, táxi, combustível próprio, ônibus ou estacionamento — com o tempo de deslocamento em minutos e o paciente ligado ao lançamento.
Pacote de sessões
Registra a quantidade de sessões e o valor total pago adiantado, e vai baixando conforme os atendimentos acontecem.
Custo de deslocamento no mapa
No Panorama Regional cada paciente aparece no mapa com quanto já pesou de deslocamento no mês, ao lado da próxima consulta e do último pagamento.
Entradas e saídas do mês
O financeiro mostra o que entrou de sessão e o que saiu de custo, sem você reconsolidar nada no fim do mês.
Dá pra fazer tudo isso no Plano Free, que não expira e não pede cartão. Ele limita quantidade de uso por mês — 2 pacientes, 20 agendamentos, 10 evoluções, 10 lançamentos financeiros e 10 PDFs —, não funcionalidade.
Veja quanto cada paciente realmente deixa
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Quanto cobrar por uma sessão de fisioterapia domiciliar?
Não há tabela oficial, e o valor praticado muda muito por cidade. O caminho é calcular o seu piso: divida sua meta mensal pelo número realista de sessões (5 por dia × 20 dias = 100), some os custos fixos diluídos, some o deslocamento daquele paciente específico e divida o resultado por (1 − alíquota). Numa conta comum, isso dá cerca de R$ 105 para um paciente a 3 km e R$ 135 para um a 18 km.
Quanto a mais devo cobrar em relação ao consultório?
Na prática, algo entre 30% e 70% acima. Mas essa faixa é só calibragem: o que define o número é a distância média dos seus pacientes e quantas sessões cabem no seu dia. Duas agendas com o mesmo preço de consultório podem exigir preços domiciliares bem diferentes.
Como cobrar a taxa de deslocamento sem constranger o paciente?
Anunciando por faixa de distância, como frete: até 5 km sem taxa, 5 a 10 km com um acréscimo, e assim por diante. É simples de entender, não exige explicar sua estrutura de custos e ainda incentiva o paciente a indicar vizinhos, que caem na faixa sem taxa.
Vale mais a pena vender pacote ou sessão avulsa no domiciliar?
Pacote, na maioria dos casos. Ele resolve o recebimento adiantado, reduz falta, dá previsibilidade de caixa e aumenta a chance de o tratamento chegar ao fim. O cuidado é com o desconto: 5% a 8% costuma bastar, e descontos maiores podem jogar a sessão abaixo do seu piso.
Devo cobrar quando o paciente falta?
A regra precisa existir antes da primeira falta, e o padrão mais aceito é cobrar quando o cancelamento acontece com menos de 24 horas de antecedência. No atendimento domiciliar isso pesa mais que no consultório, porque a hora vaga não é recuperável e o deslocamento pode já ter sido feito. Um lembrete enviado no dia anterior reduz bastante o problema.
Como saber se um paciente distante está dando prejuízo?
Lançando o deslocamento como despesa vinculada àquele paciente e comparando com o que ele paga no mês. No Fisioly esse lançamento tem categoria própria (Uber, gasolina, estacionamento, transporte) com tempo de deslocamento, e o total aparece por paciente no mapa do Panorama Regional — o que torna a comparação direta, sem planilha.