Precificação

Quanto Cobrar por uma Sessão de Fisioterapia Domiciliar

Não existe tabela — existe uma conta. Como achar seu piso por paciente, cobrar deslocamento sem constrangimento e não deixar o paciente perto financiar o paciente longe.

📅 Atualizado em agosto de 2026 ⏱ 8 min de leitura ✍ Equipe Fisioly
1,5h
Do seu dia por visita — é isso que precisa estar dentro do preço, não os 50 min de sessão
R$ 260
A diferença mensal entre um paciente a 3 km e um a 18 km, com o mesmo valor de sessão
1x
Por ano é o mínimo pra revisar o preço — quem não revisa está reduzindo o próprio salário

A resposta curta que ninguém gosta: não existe tabela de fisioterapia domiciliar. O que se pratica no Brasil varia demais entre capital e interior, entre bairro e bairro da mesma cidade, e entre quem atende idoso particular e quem atende repasse de home care. Qualquer número solto que você achar na internet vai estar errado pra alguém.

A resposta útil é outra: existe uma conta. E ela é simples o bastante pra você fazer hoje, num guardanapo, e sair com um piso que não deixa você trabalhar de graça. É isso que vem abaixo — a conta, os erros que estragam ela, e como cobrar diferente de quem mora longe sem parecer que você está inventando taxa.

Por que a sessão domiciliar custa mais que a de consultório

Porque você não está vendendo só a sessão. Está vendendo a sessão mais o deslocamento, mais o tempo que o deslocamento come, mais o desgaste do carro, mais a impossibilidade de encaixar alguém naquele horário. No consultório, se um paciente falta às 15h, ainda dá pra o das 16h chegar mais cedo. No domiciliar, quem faltou levou 1h30 embora.

Tem também um custo que quase ninguém precifica e que é real: a sessão em casa é mais personalizada. Você adapta o exercício ao espaço que existe, orienta cuidador, ajusta ambiente, responde pergunta de familiar na porta. Isso vale mais e leva mais tempo.

💡 Uma referência solta, só pra calibrar expectativa: sessão domiciliar particular costuma sair entre 30% e 70% acima do que o mesmo profissional cobraria no consultório. É uma faixa larga de propósito — a distância média dos seus pacientes muda tudo. Use a conta abaixo, não a faixa.

A conta: como chegar no seu preço mínimo

A lógica é chegar primeiro no piso — o valor abaixo do qual atender é pior do que não atender. O preço final você decide depois, olhando mercado e posicionamento. Mas sem o piso você negocia no escuro.

Passo 1 — quanto você precisa faturar por sessão

Pegue a meta mensal de faturamento e divida pela quantidade realista de sessões. Realista mesmo: 5 atendimentos por dia, 20 dias por mês, é 100 sessões. Não use 8 por dia porque no domiciliar isso não acontece.

R$ 80

R$ 8.000 de meta ÷ 100 sessões/mês = R$ 80 por sessão, só pra bater o faturamento bruto

Passo 2 — some seus custos fixos, diluídos

Celular, internet, sistema de gestão, anuidade do CREFITO rateada por mês, reposição de material, seguro. Some tudo e divida pelas mesmas 100 sessões.

Passo 3 — some o deslocamento daquele paciente

Aqui é onde o domiciliar se separa de tudo. O custo não é o mesmo para todo mundo, então ele não pode entrar como média. Some combustível (ou corrida de app), estacionamento e pedágio da ida e da volta.

Passo 4 — devolva o imposto

Se você é PJ no Simples, uma alíquota de 6% sobre o faturamento é um bom ponto de partida para a conta (confira a sua, que varia com o anexo e o faturamento acumulado). O jeito certo de aplicar é dividir, não somar.

ComponentePaciente a 3 kmPaciente a 18 km
Faturamento necessário por sessãoR$ 80R$ 80
Custos fixos diluídosR$ 6R$ 6
Deslocamento (ida e volta)R$ 12R$ 40
SubtotalR$ 98R$ 126
Ajuste de imposto (÷ 0,94)R$ 104R$ 134
Piso da sessãoR$ 105R$ 135

Trinta reais de diferença entre dois pacientes que recebem exatamente a mesma sessão. É desconfortável cobrar isso? No começo, sim. Mas é o que impede que o paciente perto financie o paciente longe sem ninguém perceber.

✅ Teste rápido de sanidade: divida seu preço atual por 1,5 hora. Esse é o seu ganho real por hora ocupada no domiciliar. Compare com o que você ganharia na mesma hora dentro de um consultório. Se o consultório ganha, ou seu preço está baixo ou sua rota está espalhada demais.

Taxa de deslocamento por faixa: a forma mais simples de cobrar

Explicar a conta acima para o paciente é péssima ideia. Ninguém quer ouvir sobre sua alíquota. O que funciona é anunciar um valor de sessão e uma taxa de deslocamento por faixa de distância — igual a frete, que todo mundo já entende.

Distância do seu ponto de partidaAcréscimoObservação
Até 5 kmSem taxaSeu raio principal, onde você quer concentrar pacientes
5 a 10 km+ R$ 15Aceitável se couber no mesmo dia da região
10 a 20 km+ R$ 30Só em dia dedicado àquela região
Acima de 20 km+ R$ 50 ou recusaCostuma valer mais a pena indicar um colega da região

A vantagem escondida dessa tabela é que ela vende o seu raio. Quando o paciente vê que até 5 km não tem taxa, ele mesmo indica você para os vizinhos — e vizinho de paciente é o melhor tipo de paciente novo que existe no domiciliar.

Sessão avulsa ou pacote fechado?

Pacote, quase sempre. Não pelo desconto — pelo que ele resolve de tabela:

O erro no pacote é dar desconto sem checar o piso. Se sua sessão fecha em R$ 135 e você dá 15% em dez sessões, cada uma volta pra R$ 115 — abaixo do piso daquele paciente. Um desconto de 5% a 8% costuma ser suficiente pra o pacote parecer vantajoso sem quebrar a conta.

FormatoValor unitárioTotalQuando usar
AvulsaR$ 135Primeira sessão e paciente ainda em avaliação
Pacote 8 sessõesR$ 128R$ 1.024Tratamento com alta prevista em um mês
Pacote 12 sessõesR$ 124R$ 1.488Crônico ou manutenção de longo prazo

Cinco erros que derrubam o preço sem você notar

  1. Copiar o valor do consultório. São operações diferentes. Uma tem sala fixa e encaixe possível; a outra tem carro, trânsito e horário que não se recupera.
  2. Preço único para a cidade inteira. Funciona até você aceitar o primeiro paciente distante. Depois disso você está trabalhando de graça uma parte do mês.
  3. Não cobrar a falta. No domiciliar, falta não é hora vaga: é hora vaga mais o deslocamento que talvez você já tenha feito. A regra precisa existir antes da primeira falta acontecer.
  4. Não lançar o deslocamento como despesa. Se o gasto com Uber e gasolina não aparece em lugar nenhum, o resultado do mês fica bonito no papel e magro na conta.
  5. Nunca reajustar. Combustível sobe todo ano. Preço parado por três anos é redução de salário disfarçada de fidelidade.

Como reajustar sem perder paciente

Reajuste uma vez por ano, em data fixa — janeiro é a mais fácil de justificar. Avise com 30 dias de antecedência e por escrito, mesmo que seja uma mensagem curta. Duas coisas que ajudam bastante: aplicar primeiro aos pacientes novos (você testa a aceitação do valor sem risco) e oferecer aos antigos a chance de travar o preço antigo comprando um pacote antes da virada.

Na prática, a perda costuma ser bem menor do que o medo. Quem sai por 8% de reajuste normalmente já estava com um pé fora por outro motivo.

Como acompanhar isso mês a mês sem planilha

Toda essa conta só funciona se você souber, no fim do mês, quanto entrou por paciente e quanto saiu de deslocamento por paciente. Em planilha dá pra fazer — e quase ninguém mantém, porque significa digitar duas vezes: uma no lançamento e outra na consolidação.

No Fisioly isso fica no mesmo lugar em que você já registra a sessão:

🚗

Despesa de deslocamento vinculada ao paciente

Uber, 99, táxi, combustível próprio, ônibus ou estacionamento — com o tempo de deslocamento em minutos e o paciente ligado ao lançamento.

📦

Pacote de sessões

Registra a quantidade de sessões e o valor total pago adiantado, e vai baixando conforme os atendimentos acontecem.

🗺️

Custo de deslocamento no mapa

No Panorama Regional cada paciente aparece no mapa com quanto já pesou de deslocamento no mês, ao lado da próxima consulta e do último pagamento.

📊

Entradas e saídas do mês

O financeiro mostra o que entrou de sessão e o que saiu de custo, sem você reconsolidar nada no fim do mês.

Dá pra fazer tudo isso no Plano Free, que não expira e não pede cartão. Ele limita quantidade de uso por mês — 2 pacientes, 20 agendamentos, 10 evoluções, 10 lançamentos financeiros e 10 PDFs —, não funcionalidade.

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Lance a sessão e o deslocamento no mesmo sistema e descubra a margem por paciente sem montar planilha nenhuma.

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Perguntas frequentes

Quanto cobrar por uma sessão de fisioterapia domiciliar?

Não há tabela oficial, e o valor praticado muda muito por cidade. O caminho é calcular o seu piso: divida sua meta mensal pelo número realista de sessões (5 por dia × 20 dias = 100), some os custos fixos diluídos, some o deslocamento daquele paciente específico e divida o resultado por (1 − alíquota). Numa conta comum, isso dá cerca de R$ 105 para um paciente a 3 km e R$ 135 para um a 18 km.

Quanto a mais devo cobrar em relação ao consultório?

Na prática, algo entre 30% e 70% acima. Mas essa faixa é só calibragem: o que define o número é a distância média dos seus pacientes e quantas sessões cabem no seu dia. Duas agendas com o mesmo preço de consultório podem exigir preços domiciliares bem diferentes.

Como cobrar a taxa de deslocamento sem constranger o paciente?

Anunciando por faixa de distância, como frete: até 5 km sem taxa, 5 a 10 km com um acréscimo, e assim por diante. É simples de entender, não exige explicar sua estrutura de custos e ainda incentiva o paciente a indicar vizinhos, que caem na faixa sem taxa.

Vale mais a pena vender pacote ou sessão avulsa no domiciliar?

Pacote, na maioria dos casos. Ele resolve o recebimento adiantado, reduz falta, dá previsibilidade de caixa e aumenta a chance de o tratamento chegar ao fim. O cuidado é com o desconto: 5% a 8% costuma bastar, e descontos maiores podem jogar a sessão abaixo do seu piso.

Devo cobrar quando o paciente falta?

A regra precisa existir antes da primeira falta, e o padrão mais aceito é cobrar quando o cancelamento acontece com menos de 24 horas de antecedência. No atendimento domiciliar isso pesa mais que no consultório, porque a hora vaga não é recuperável e o deslocamento pode já ter sido feito. Um lembrete enviado no dia anterior reduz bastante o problema.

Como saber se um paciente distante está dando prejuízo?

Lançando o deslocamento como despesa vinculada àquele paciente e comparando com o que ele paga no mês. No Fisioly esse lançamento tem categoria própria (Uber, gasolina, estacionamento, transporte) com tempo de deslocamento, e o total aparece por paciente no mapa do Panorama Regional — o que torna a comparação direta, sem planilha.

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