Resposta rápida: Qual a distância ideal entre eletrodos de TENS? Não há um número único. Eletrodos mais próximos concentram a corrente na superfície; mais afastados alcançam tecido mais profundo. Uma referência prática é deixar pelo menos a largura de um eletrodo entre eles, nunca encostados.
"Tá formigando só de um lado"
Lombalgia, quatro eletrodos, dois canais. Você aumenta a intensidade e a paciente avisa que só sente do lado direito. Você troca o cabo. Nada. Aí repara: o eletrodo esquerdo está com a borda levantada, colado em cima de um resto de creme.
Acontece toda semana em consultório cheio. E não é defeito de aparelho.
Se a dúvida é qual eletrodo comprar, pino ou snap e quanto ele dura, isso está em eletrodos para TENS e FES. Aqui o assunto é o que acontece na maca: onde colocar, como deixar a pele pronta e o que escrever depois.
Posicionamento: a regra que mais erra
No TENS para dor, o mais comum é colocar os eletrodos ao redor da área dolorosa ou sobre o trajeto do nervo que inerva a região. Não existe um único jeito certo. Existe o jeito que você consegue repetir.
No FES, a lógica muda. O eletrodo vai sobre o ponto motor do músculo, e meio centímetro faz diferença na contração. Vale procurar o ponto com intensidade baixa antes de fixar de vez.
Sobre distância entre eletrodos: muito perto, a corrente fica superficial e concentrada. Mais afastados, ela alcança tecido mais profundo, mas espalha. Uma referência prática que muita gente usa é deixar pelo menos a largura de um eletrodo entre eles. Encostados, nunca.
Onde não colocar: sobre a região anterior do pescoço (seio carotídeo), sobre o tórax em quem tem marca-passo, sobre pele lesionada, sobre área com alteração de sensibilidade sem supervisão, e sobre o abdome de gestante. As contraindicações completas dependem do recurso e do manual do fabricante.
Pele: o que fazer antes e depois
Antes: pele limpa e seca. Creme, óleo e gel de ultrassom atrapalham a aderência e criam pontos de corrente concentrada. Pelo muito denso também. Água e sabão resolvem a maioria dos casos; álcool em excesso resseca e algumas pessoas reagem.
Depois: olhe a pele. Uma vermelhidão leve que some em pouco tempo é comum. Vermelhidão que persiste, bolha, coceira forte ou marca com o formato exato do eletrodo não são normais e precisam ir para o prontuário.
Eu sou chato com isso: se a pele reagiu numa sessão, na próxima eu mudo a posição em alguns centímetros ou troco o eletrodo, e anoto. Insistir no mesmo ponto por hábito é como se cria uma queimadura pequena que vira reclamação grande.
O que anotar para a sessão ser repetível
"TENS lombar 20 min" não ajuda ninguém. Nem você mesmo daqui a três semanas. O mínimo que eu anotaria:
- Recurso e modo (TENS convencional, acupuntura, FES, corrente russa).
- Frequência, largura de pulso e tempo. No FES, também tempo de contração e repouso.
- Onde ficaram os eletrodos, com referência anatômica. "Paravertebral L3–L5 bilateral" já serve.
- Intensidade como resposta do paciente ("parestesia forte, sem dor"), porque o número do display muda de um aparelho para outro.
- Como a pele ficou no fim.
A Resolução COFFITO 414/2012 pede que o prontuário traga os procedimentos realizados em cada atendimento. O detalhe dos parâmetros não está escrito lá, mas é o que torna a evolução útil de verdade. Para o resto da evolução, veja como escrever a evolução de fisioterapia.
No Fisioly
Na evolução do Fisioly, eletroterapia aparece entre os procedimentos para marcar, e os parâmetros vão no texto da sessão. Dá para anexar uma foto da posição dos eletrodos, o que ajuda muito quando outra pessoa da equipe vai atender o mesmo paciente.
O que ele não faz: não guarda protocolos de parâmetros prontos por aparelho, não tem mapa de pontos motores e não conversa com o seu equipamento. É registro, não guia de eletroterapia.
Deixe os parâmetros da sessão anotados
Procedimentos marcados, texto da sessão e foto anexada na mesma evolução. Os 7 primeiros dias rodam sem limite.
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Qual a distância ideal entre eletrodos de TENS?
Não há um número único. Eletrodos mais próximos concentram a corrente na superfície; mais afastados alcançam tecido mais profundo. Uma referência prática é deixar pelo menos a largura de um eletrodo entre eles, nunca encostados.
É normal a pele ficar vermelha depois da eletroterapia?
Uma vermelhidão leve que some logo é comum. Vermelhidão persistente, bolha, coceira forte ou marca com o formato do eletrodo não são esperadas: interrompa naquele ponto, registre e reavalie a técnica e o eletrodo.
Posso usar gel de ultrassom embaixo do eletrodo autoadesivo?
Não é recomendado. Gel e cremes atrapalham a aderência do eletrodo autoadesivo e podem concentrar corrente em pontos. A pele deve estar limpa e seca. O eletrodo de silicone, ao contrário, precisa de gel próprio.
Onde não se deve colocar eletrodo?
Entre os locais classicamente evitados estão a região anterior do pescoço, o tórax de quem tem marca-passo, pele lesionada e o abdome de gestantes. A lista completa depende do recurso e do manual do fabricante.
O que registrar no prontuário depois da eletroterapia?
Recurso e modo, frequência, largura de pulso, tempo, posição dos eletrodos com referência anatômica, intensidade descrita pela resposta do paciente e a condição da pele ao final.
Fontes e referências
- Resolução COFFITO nº 414/2012: registro em prontuário pelo fisioterapeutaProcedimentos de cada atendimento no conteúdo do prontuário.
- PubMed: estudos sobre posicionamento de eletrodos no TENSEvidência sobre posição e distância entre eletrodos.
- PubMed: reações de pele associadas à estimulação elétricaIrritação, queimaduras e cuidados com a pele.