Resposta rápida: Quais são as fases da reabilitação esportiva? Em geral, proteção e controle de dor, força e controle motor, potência e retorno à corrida e, por fim, treino específico e retorno ao esporte.
"Doutora, já posso jogar no fim de semana?"
Semana 14 depois da reconstrução do LCA. Ele corre bem na esteira, não sente dor, e o time tem jogo no sábado. A pergunta vem em toda sessão. E a resposta honesta é: depende do que os testes disserem, não do calendário.
Esse é o centro da reabilitação esportiva. Não é só tratar a lesão, é decidir com critério quando a pessoa aguenta voltar a fazer o que machucou. Se você quer o panorama da área (lesões comuns, prevenção, onde o fisio esportivo atua), está em fisioterapia esportiva. Aqui o foco é a sequência e a régua de saída.
As fases, de forma prática
Cada protocolo divide de um jeito. Eu gosto de pensar em quatro momentos, que avançam por critério e não por semana fixa:
- Proteção e controle de dor. Controlar edema, recuperar amplitude, ativar musculatura. Critério para sair: dor baixa nas atividades do dia, edema controlado, marcha sem compensação.
- Força e controle motor. Carga progressiva, trabalho unilateral, equilíbrio. É a fase mais longa e a que mais gente encurta.
- Potência e retorno à corrida. Pliometria, mudança de direção, corrida progressiva. Aqui entram os primeiros testes de salto.
- Treino específico e retorno. Gesto do esporte, treino com o time de forma gradual, depois competição.
O consenso de Berna de 2016 descreve o retorno como um contínuo: voltar a participar, voltar ao esporte, voltar ao desempenho anterior. Ajuda muito explicar isso ao atleta. "Voltar a treinar" e "jogar 90 minutos" são etapas diferentes.
Critérios de alta funcional que costumam ser usados
Não existe um teste único que libera alguém. O que se usa é uma bateria, comparando o lado lesionado com o outro (índice de simetria entre membros):
- Força: dinamômetro quando há, ou teste de repetição máxima quando não há. Muitos protocolos pedem simetria de 90% ou mais em quadríceps e isquiotibiais.
- Testes de salto (hop tests): salto unipodal simples, triplo, cruzado e salto cronometrado em 6 metros. A mesma régua de 90% de simetria é comum.
- Questionário de função e confiança: por exemplo, uma escala de prontidão psicológica para o retorno. Medo de nova lesão segura muita gente que passa nos testes físicos.
- Tempo e qualidade de movimento: no LCA, muita gente evita liberar antes de nove meses, mesmo com testes bons.
Um cuidado: o índice de simetria engana quando o lado bom também perdeu força durante o período parado. 90% de um lado fraco ainda é pouco. Sempre que der, compare com a avaliação pré-lesão ou com valores de referência.
Como acompanhar isso nas evoluções
O que transforma "acho que está pronto" em decisão defensável é o registro. Algumas manias que funcionam:
- Escreva em qual fase o atleta está no início da evolução. "Fase 3, semana 2."
- Repita os mesmos testes, do mesmo jeito, nas mesmas condições. Mesmo calçado, mesmo aquecimento.
- Anote os números dos dois lados, não só o índice. "Hop simples D 128 cm / E 145 cm (88%)."
- Registre a carga dos exercícios principais. É ela que mostra se a força está subindo antes do teste formal.
E quando o atleta voltar, registre isso também: o motivo, os resultados finais e as orientações de continuidade. Detalhe importante: o Fisioly não tem uma etapa de "alta" no cadastro do paciente. O retorno e o encerramento ficam escritos na última evolução.
O que o Fisioly ajuda e o que fica com você
No Fisioly, a ficha esportiva fica no prontuário, cada sessão tem a sua evolução com EVA e procedimentos, e as reavaliações ficam em ordem de data para comparar. Dá pra anexar laudo, vídeo curto do gesto ou planilha do dinamômetro.
O que ele não faz: não tem biblioteca de vídeos de exercício para mandar ao atleta, não mede ângulo nem salto pelo sensor do celular e não calcula o índice de simetria sozinho. O cálculo é seu; o sistema guarda e organiza.
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Quais são as fases da reabilitação esportiva?
Em geral, proteção e controle de dor, força e controle motor, potência e retorno à corrida e, por fim, treino específico e retorno ao esporte. A passagem de uma fase para a outra deve ser por critério clínico, não por semana fixa.
Quando o atleta pode voltar ao esporte?
Quando passa por uma bateria de critérios, como força e testes de salto com simetria de cerca de 90% entre membros, boa qualidade de movimento e confiança para voltar. Em algumas lesões, como o LCA, o tempo mínimo também conta.
O que são os hop tests?
São testes de salto unipodal (simples, triplo, cruzado e cronometrado em 6 metros) que comparam o lado lesionado com o outro. São muito usados para decidir o retorno ao esporte após lesão de joelho.
Quanto tempo dura a reabilitação esportiva?
Varia conforme a lesão e o esporte. Uma entorse leve pode resolver em poucas semanas; uma reconstrução de LCA costuma levar nove meses ou mais até o retorno à competição.
Como registrar a reabilitação esportiva no prontuário?
Indique a fase em cada evolução, repita os mesmos testes nas mesmas condições, anote os valores dos dois lados e a carga dos exercícios, e registre na última evolução o retorno ao esporte e as orientações.
Fontes e referências
- Ardern CL et al. 2016 Consensus statement on return to sport (Bern). Br J Sports MedRetorno ao esporte como contínuo: participação, esporte e desempenho.
- PubMed: estudos sobre hop tests e simetria entre membros no retorno ao esporteBase dos critérios de salto e da régua de 90%.
- Resolução COFFITO nº 414/2012: registro em prontuário pelo fisioterapeutaEvolução e reavaliação no conteúdo mínimo do prontuário.