Resposta rápida: Qual a diferença entre EVA e escala numérica de dor? A EVA original é uma linha de 10 cm sem números em que o paciente marca um ponto. A escala numérica pede uma nota de 0 a 10. As duas são válidas; o importante é usar sempre a mesma e anotar qual foi.
"Ah, uns sete. Ou cinco. Hoje tá melhor."
Paciente de cervicalgia, terceira sessão. Você pergunta a nota da dor e ela responde com três números diferentes numa frase. Na semana passada disse oito. Melhorou três pontos? Ou ela só está com pressa?
A escala de dor é o dado que mais aparece no prontuário de fisioterapia. E talvez o mais mal anotado. Não porque a escala seja ruim, mas porque cada um pergunta de um jeito.
EVA ou escala numérica: não são a mesma coisa
A escala visual analógica, a EVA, é originalmente uma linha de 10 cm sem números. "Sem dor" numa ponta, "pior dor imaginável" na outra. O paciente marca um ponto e você mede com a régua.
O que quase todo mundo faz na clínica é a escala numérica: "de 0 a 10". Também é válida, muito usada e mais prática. Só não é exatamente a EVA. No dia a dia o nome se misturou, e tudo bem, desde que você saiba qual aplicou e use sempre a mesma.
Para criança pequena, idoso com déficit cognitivo ou quem tem dificuldade com números, escalas de faces costumam funcionar melhor. Vale escrever no prontuário qual foi usada.
Como perguntar sem induzir
Pequenos detalhes mudam a resposta mais do que parece:
- Defina as âncoras toda vez: "zero é nenhuma dor, dez é a pior dor que você consegue imaginar".
- Diga o recorte de tempo. Dor agora? Pior dor nas últimas 24 horas? Dor média da semana? São três números diferentes.
- Não sugira. "Tá menos que oito, né?" já é resposta pronta.
- Pergunte em repouso e no movimento que mais incomoda, separadamente. "EVA repouso 2, ao agachar 6" diz muito mais que um 4.
E, sim, pergunte antes de tratar. Dor no fim da sessão é outro dado, útil, mas não substitui o de entrada.
Quanto precisa mudar para importar
Um ponto de diferença pode ser só variação do dia. A literatura sobre diferença mínima clinicamente importante em dor crônica costuma falar em algo perto de 2 pontos, ou cerca de 30% de redução, na escala de 0 a 10. Os valores mudam conforme a condição, a população e o estudo, então trate isso como referência, não como regra.
Na prática eu olho tendência. Três sessões seguidas caindo valem mais que um salto isolado. E dor que não muda com função melhorando também é resultado. Às vezes a pessoa volta a dormir de lado com a mesma nota.
Como registrar
Um exemplo de linha que eu considero suficiente: "EVA numérica: repouso 2/10, subir escada 5/10 (era 7 na avaliação). Piora no fim do dia." Escala usada, contexto, comparação. Pronto.
O que evitar: anotar só "melhora da dor", ou repetir o mesmo número em todas as sessões por costume. Se você não perguntou, não preencha. Campo vazio é honesto; número inventado engana quem vem depois. A Resolução COFFITO 414/2012 pede o registro da evolução em cada atendimento, e a dor é parte disso. Mais detalhes em como escrever a evolução de fisioterapia e nos erros mais comuns no prontuário.
No Fisioly
A evolução do Fisioly tem um campo de EVA de 0 a 10 em forma de medidor. Ele começa vazio. Se você não mexer, a sessão fica sem nota de dor, e o zero só é gravado quando você escolhe zero. Se marcou sem querer, há um botão para limpar.
O que ele não separa: é um número por sessão. Dor em repouso e no movimento, ou pior dor das 24 horas, você escreve no texto da evolução. Ele também não aplica escala de faces nem questionários de dor como o McGill.
Dor anotada sessão a sessão
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Qual a diferença entre EVA e escala numérica de dor?
A EVA original é uma linha de 10 cm sem números em que o paciente marca um ponto. A escala numérica pede uma nota de 0 a 10. As duas são válidas; o importante é usar sempre a mesma e anotar qual foi.
Quantos pontos de melhora na EVA são significativos?
Estudos em dor crônica costumam apontar algo perto de 2 pontos ou cerca de 30% de redução como mudança clinicamente importante, mas o valor varia conforme a condição e o estudo.
Devo perguntar a dor antes ou depois da sessão?
Antes, como medida principal. A dor ao final da sessão pode ser anotada também, mas é outro dado e não substitui o de entrada.
Que escala usar em criança ou idoso com déficit cognitivo?
Escalas de faces ou observacionais costumam funcionar melhor do que pedir um número. Registre no prontuário qual escala foi aplicada.
Como anotar a EVA na evolução?
Com a escala usada, o contexto (repouso, movimento, últimas 24 horas) e a comparação com a medida anterior. Se não perguntou na sessão, deixe em branco em vez de repetir o número antigo.
Fontes e referências
- Hawker GA et al. Measures of adult pain: VAS, NRS, McGill e outras. Arthritis Care Res (2011)Comparação entre escala visual analógica e numérica.
- Farrar JT et al. Clinical importance of changes in chronic pain intensity on an 11-point numerical rating scale. Pain (2001)Referência de cerca de 2 pontos ou 30% de redução.
- Resolução COFFITO nº 414/2012: registro em prontuário pelo fisioterapeutaEvolução registrada a cada atendimento.