Resposta rápida: Como saber se é linfedema depois da mastectomia? Pela perimetria comparando os dois braços nos mesmos pontos: diferença de 2 cm ou mais em qualquer nível é o critério mais usado. Peso, aperto e roupa marcando também são sinais.
"O braço está pesado no fim do dia"
É quase sempre assim que começa. Não é inchaço que dá para ver. É um peso, uma aliança que aperta, a manga da blusa que marca. Dois anos depois do esvaziamento axilar, ou dois meses. O linfedema não tem data para aparecer.
E quanto antes for medido, melhor ele responde. Linfedema em estágio inicial pode regredir. Em estágio avançado, com fibrose, o objetivo passa a ser controlar.
Por que acontece
A retirada de linfonodos da axila e a radioterapia na região prejudicam a drenagem da linfa do braço do mesmo lado. O líquido rico em proteína se acumula no tecido, o membro aumenta e, com o tempo, o tecido endurece.
O risco é maior com esvaziamento axilar do que com a biópsia do linfonodo sentinela, aumenta com radioterapia na axila, com obesidade e com infecções no braço (erisipela). Mas aparece também em quem não tinha nenhum desses fatores. Por isso vale medir todo mundo.
Perimetria: como medir sem se enganar
A perimetria é a medida da circunferência do membro em pontos fixos, comparada com o lado oposto. É simples, barata e, feita do mesmo jeito sempre, é suficiente para acompanhar a maioria dos casos.
Pontos que costumo usar no membro superior, de baixo para cima:
- mão, na altura das metacarpofalângicas;
- punho, nos processos estiloides;
- antebraço, 10 cm acima do punho;
- cotovelo, na prega;
- braço, 10 e 20 cm acima do cotovelo.
Outro jeito comum é medir a cada 5 ou 7 cm a partir do estiloide. Tanto faz. O que não pode é mudar de método entre uma avaliação e outra.
Os erros que mais vejo: medir de um lado só (e comparar com "o normal"), apertar a fita, mudar a posição do braço, medir em horário diferente (o braço é maior no fim do dia) e anotar só o lado afetado. Anote os dois valores, sempre. A diferença você calcula depois.
Quando chamar de linfedema
O critério mais usado é diferença de 2 cm ou mais entre os lados em qualquer ponto. Outros serviços usam volume estimado (diferença acima de 10% ou de 200 mL). Entre 1 e 2 cm, eu trato como zona de atenção: reavalio mais cedo e reforço os cuidados.
A classificação da Sociedade Internacional de Linfologia (ISL) vai de 0 a III:
- 0 latente: sem aumento visível, mas com queixa ou alteração no exame.
- I o edema regride com a elevação do membro.
- II não regride com a elevação; cacifo presente no início, fibrose depois.
- III elefantíase, com alterações de pele.
O sinal de Stemmer (não conseguir pinçar a pele do dorso do dedo) positivo reforça o diagnóstico.
O tratamento: terapia física complexa
É o tratamento padrão, em duas fases.
Fase de redução: drenagem linfática manual, enfaixamento compressivo multicamadas (que fica entre as sessões), exercícios com o enfaixamento e cuidados com a pele. Sessões frequentes, de algumas semanas, até o volume estabilizar.
Fase de manutenção: malha ou braçadeira compressiva sob medida, exercícios, autodrenagem quando indicada, cuidados com a pele e reavaliação periódica.
Uma opinião, assumida: drenagem sozinha, sem compressão, resolve pouco. O paciente sai mais leve da sessão e volta igual na semana seguinte. A compressão é o que segura o resultado.
Exercício resistido, que por muito tempo foi proibido, hoje é recomendado com progressão gradual e não aumenta o linfedema. Explicar isso para a paciente que ouviu "nunca mais carregue sacola" muda a vida dela.
Cuidados com o membro
- Evitar aferir pressão, colher sangue e aplicar injeção no braço do lado operado, sempre que possível.
- Hidratar a pele e tratar qualquer ferida logo; vermelhidão com calor e febre é erisipela até prova em contrário, e é para o médico.
- Usar a malha nas atividades mais longas e em viagem de avião, se foi prescrita.
- Manter o exercício. Parado, o braço piora.
Registrando a perimetria no Fisioly
Na ficha de fisioterapia oncológica do Fisioly, a aba Linfedema tem a tabela com os seis pontos do membro superior (ou do inferior, se for o caso), com o afetado e o contralateral lado a lado. A diferença sai calculada e muda de cor: verde abaixo de 1 cm, laranja entre 1 e 2, vermelho a partir de 2. Ao lado, o desenho redesenha o membro afetado com as medidas que você digitou, então dá para mostrar para a paciente como o braço está em relação ao outro.
Também ficam ali o estágio ISL, o Stemmer, o ombro, o cordão axilar, a cicatriz e o tipo de compressão. O que a ficha não faz: não estima volume em mililitros nem compara sozinha uma avaliação com a anterior. Para comparar, você abre o PDF da avaliação anterior. A ficha completa está em ficha de avaliação em fisioterapia oncológica.
Perimetria com a diferença calculada
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Como saber se é linfedema depois da mastectomia?
Pela perimetria comparando os dois braços nos mesmos pontos: diferença de 2 cm ou mais em qualquer nível é o critério mais usado. Peso, aperto e roupa marcando também são sinais. A avaliação clínica e o estágio pela ISL completam o diagnóstico.
Como fazer perimetria para linfedema?
Meça os dois membros com fita métrica em pontos fixos a partir de referências ósseas (mão, punho, 10 cm acima do punho, cotovelo, 10 e 20 cm acima do cotovelo), sem apertar a fita, na mesma posição e de preferência no mesmo horário. Anote os dois lados e calcule a diferença.
Drenagem linfática resolve o linfedema?
Sozinha costuma resolver pouco. O tratamento padrão é a terapia física complexa: drenagem linfática manual, enfaixamento compressivo, exercícios e cuidados com a pele na fase de redução, e malha compressiva na manutenção.
Quem teve linfedema pode fazer musculação?
Sim. O exercício resistido com progressão gradual é recomendado e não aumenta o linfedema. Comece com carga leve, observe o braço nos dias seguintes e use a malha se ela foi prescrita.
Linfedema tem cura?
Em estágio inicial pode regredir. Nos estágios mais avançados o objetivo é controlar o volume e evitar complicações, com compressão, exercício e cuidados com a pele.
Fontes e referências
- International Society of Lymphology: consenso sobre diagnóstico e tratamento do linfedema periféricoEstágios 0 a III e terapia física complexa.
- INCA: controle do câncer de mamaInformações oficiais sobre câncer de mama no Brasil.
- Exercício resistido e linfedema relacionado ao câncer de mama (revisões)Segurança do treino de força em quem tem ou está em risco de linfedema.