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Ficha de avaliação em fisioterapia oncológica: o que perguntar, o que medir e o que não pode faltar

Modelo comentado de avaliação fisioterapêutica oncológica: a linha do tratamento, os alertas de segurança, as escalas, a perimetria e o plano. Na ordem em que fazem sentido na primeira consulta.

📅 Atualizado em outubro de 2026 ⏱ 10 min de leitura ✍ Equipe Fisioly

Resposta rápida: O que deve ter na ficha de avaliação de fisioterapia oncológica? Diagnóstico oncológico com estadiamento e metástases, a linha do tratamento (cirurgia, quimio, radio, hormônio e imuno com datas), alertas de segurança e hemograma, fadiga, dor, neuropatia, ECOG ou Karnofsky, linfedema com perimetria, testes funcionais e o plano com data de reavaliação.

Por que a ficha ortopédica não serve

Dá para avaliar uma paciente pós-mastectomia com a ficha ortopédica. Muita gente faz. Você mede o ombro, testa força, anota a dor. E deixa de fora as três perguntas que mais mudam a conduta: em que fase do tratamento ela está, como está o hemograma e se aquele braço está em risco de linfedema.

A avaliação em fisioterapia oncológica começa pelo tratamento porque é ele que define o que pode e o que não pode na sessão. O resto vem depois. Para as fichas de outras áreas, veja a ficha de avaliação por especialidade.

1. Diagnóstico oncológico

Tipo de câncer, lado, data do diagnóstico, tipo histológico se o laudo estiver à mão, estadiamento (estádio e TNM) e metástases conhecidas, com o local. Nome do oncologista e do hospital, porque você vai precisar falar com eles.

Metástase é a linha que eu nunca deixo em branco. "Não sabe" é uma resposta válida, e é diferente de "não tem". Metástase óssea na coluna muda a carga, a posição e o que dá para mobilizar.

2. A linha do tratamento

Uma linha para cada modalidade, com situação (planejado, em curso, concluído, não fez), o detalhe e a data:

Complete com a fase (pré-habilitação, tratamento ativo, pós-tratamento, doença metastática, paliativo), a intenção (curativa, controle, paliativa), se tem cateter implantado e de que lado, e os efeitos adversos que ela relata.

3. Alertas de segurança e hemograma

Num bloco separado, que dê para ler em dez segundos antes de cada sessão. Plaquetopenia, neutropenia, anemia, metástase óssea, cateter, membro em risco de linfedema (sem pressão arterial, sem punção), trombose ou anticoagulação, radiodermite ativa, febre, suspeita de compressão medular, ferida ou dreno, cardiotoxicidade e risco de queda.

E o último hemograma com data: plaquetas, hemoglobina e neutrófilos. As faixas que os guias de exercício costumam usar são plaquetas abaixo de 20 mil (nada além das atividades do dia), entre 20 e 50 mil (exercício leve, sem impacto), hemoglobina abaixo de 8 g/dL (reduzir intensidade) e neutrófilos abaixo de 500 (risco alto de infecção). São referências, não ordens. Cada serviço tem o seu protocolo.

4. Fadiga, dor, neuropatia e desempenho

Fadiga de 0 a 10 e o que ela impede ("não consegue tomar banho sem parar" diz mais que o número). Dor de 0 a 10 com local. Campo em branco quer dizer que não foi perguntado; zero é uma resposta. Parece detalhe, mas na reavaliação faz diferença.

Neuropatia periférica: mãos, pés ou os dois, e o grau pelo CTCAE (de 0, sem sintoma, a 4, incapacitante). Teste a sensibilidade e o equilíbrio de quem tem nos pés.

ECOG e Karnofsky resumem o desempenho em um número que o oncologista entende. Anote também náusea, dispneia, sono, humor, peso atual e peso habitual. Perda acima de 5% em pouco tempo vale ser comunicada à nutrição.

5. Linfedema e perimetria

Presente, ausente ou suspeito. Membro avaliado. Estágio pela classificação da Sociedade Internacional de Linfologia (0 a III). Sinal de Stemmer.

A perimetria é o que vai provar se o tratamento funciona. Meça os dois lados nos mesmos pontos, sempre a partir de referências ósseas, e anote os dois valores. A diferença de 2 cm ou mais em qualquer nível é o critério mais usado para linfedema. Os pontos, o passo a passo e os erros comuns estão em linfedema pós-mastectomia.

Depois de cirurgia de mama, inclua amplitude de flexão, abdução e rotação externa do ombro, cordão axilar, aspecto da cicatriz e o tipo de compressão que ela usa.

6. Testes funcionais e plano

Escolha poucos e repita sempre os mesmos: caminhada de 6 minutos, sentar e levantar em 30 segundos, TUG, preensão palmar dos dois lados. Se usar questionário de qualidade de vida (EORTC QLQ-C30, FACT-B, QuickDASH), registre qual e o escore.

O plano fecha com o diagnóstico cinesiológico-funcional, objetivos de curto, médio e longo prazo, as condutas, a frequência e uma data de reavaliação. Na oncologia eu reavalio mais cedo do que em outras áreas: mudou o ciclo, mudou o quadro.

A ficha oncológica no Fisioly

Essa sequência é a ficha de fisioterapia oncológica do Fisioly, aba por aba: diagnóstico e tratamento, alertas, sintomas, linfedema, funcionalidade e plano. Duas coisas nela foram feitas para economizar tempo: a diferença da perimetria é calculada sozinha e fica vermelha a partir de 2 cm, e um desenho do corpo marca o local do tumor, o campo de radioterapia, o cateter, o membro com linfedema e a neuropatia conforme você preenche. Os alertas marcados vão para a capa do PDF.

Limites, ditos em voz alta: o hemograma é digitado (não vem do laboratório), não há cálculo de volume em mililitros e a ficha não tem biblioteca de exercícios em vídeo. A evolução de cada sessão fica no prontuário, como em como escrever a evolução de fisioterapia.

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Perguntas frequentes

O que deve ter na ficha de avaliação de fisioterapia oncológica?

Diagnóstico oncológico com estadiamento e metástases, a linha do tratamento (cirurgia, quimio, radio, hormônio e imuno com datas), alertas de segurança e hemograma, fadiga, dor, neuropatia, ECOG ou Karnofsky, linfedema com perimetria, testes funcionais e o plano com data de reavaliação.

Como avaliar a fadiga no paciente oncológico?

A forma mais simples é a escala de 0 a 10, perguntando a fadiga da última semana, junto com o que ela impede no dia a dia. De 4 a 6 costuma ser considerada moderada e de 7 a 10 intensa.

O que é ECOG na fisioterapia oncológica?

É uma escala de desempenho de 0 a 4 usada pela oncologia: 0 é atividade normal e 4 é acamado. Registrar o ECOG ajuda a conversar com a equipe médica e a acompanhar a evolução funcional.

Com qual valor de plaquetas o paciente pode fazer exercício?

Os guias costumam usar como referência: abaixo de 20 mil, só atividades do dia a dia; entre 20 e 50 mil, exercício leve e sem impacto; acima de 50 mil, exercício conforme a tolerância. O protocolo do serviço e a equipe médica têm a palavra final.

Fontes e referências

  1. Resolução COFFITO nº 414/2012: prontuário do fisioterapeutaObrigatoriedade e conteúdo do registro em prontuário.
  2. NCI: Common Terminology Criteria for Adverse Events (CTCAE)Graduação dos efeitos adversos, incluindo neuropatia periférica.
  3. ECOG-ACRIN: ECOG Performance Status ScaleEscala de desempenho de 0 a 4.
  4. Campbell KL et al. Exercise Guidelines for Cancer Survivors (ACSM, 2019)Base das recomendações de exercício e segurança.
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