Resposta rápida: O que significa força muscular grau 3? Na escala MRC, grau 3 é movimento completo contra a gravidade, sem nenhuma resistência adicional. É o grau mais objetivo da escala.
O grau 4 que virou 3 na troca de turno
Paciente pós-AVC, quatro semanas de atendimento. Na sua avaliação, flexores de cotovelo à direita estavam grau 3. Sua colega da tarde reavaliou e escreveu 4. Melhorou? Ou só mudou a mão de quem testou?
Sem saber posição, amplitude e onde foi aplicada a resistência, ninguém consegue responder. O teste manual é barato e rápido. Mas é subjetivo, e só fica útil quando todo mundo faz igual.
A escala MRC (ou Oxford), grau a grau
A escala do Medical Research Council, também chamada de Oxford no Brasil, vai de 0 a 5:
0 — nenhuma contração visível ou palpável.
1 — contração palpável ou visível, sem movimento.
2 — movimento com a gravidade eliminada.
3 — movimento completo contra a gravidade, sem resistência.
4 — movimento contra a gravidade e alguma resistência.
5 — força normal.
O grau 3 é a âncora. É o único que não depende da sua mão: ou o segmento vence a gravidade em toda a amplitude, ou não vence.
O grau 4 é onde mora a confusão. Ele cobre de "aguenta um pouquinho" até "quase normal". Por isso muita gente usa os sinais de mais e menos (4−, 4, 4+), que aparecem em várias versões da escala, como a de Kendall. Ajudam, mas aumentam a variação entre avaliadores. Minha opinião: se a equipe usa, combine o que cada um significa; se não combinar, fica no número inteiro.
Como deixar o teste comparável
Nada disso é sofisticado. É só fazer sempre do mesmo jeito.
- Posição do paciente definida para cada grupo muscular, e anotada quando fugir do padrão.
- Estabilize o segmento proximal. Compensação faz muito grau 3 parecer 4.
- Resistência no mesmo ponto, de preferência distal, mantida por alguns segundos.
- Teste o lado não afetado primeiro, para o paciente entender o comando e você calibrar a mão.
Um limite que vale dizer em voz alta: acima do grau 4, o teste manual perde sensibilidade. Quem tem 80% da força do outro lado pode tirar 5 sem problema. Em reabilitação esportiva ou quando a diferença importa, dinamômetro manual ou teste de carga dizem mais. Falo disso em reabilitação esportiva e retorno ao esporte.
Como registrar na avaliação e na evolução
Na avaliação, a forma mais limpa é uma tabela: músculo ou movimento, lado direito, lado esquerdo. "Flexão de ombro D 3 / E 5." Se mudou a posição do teste, uma linha de observação.
Na evolução, não precisa repetir a tabela inteira toda sessão. Escreva o grupo que você está acompanhando e o motivo: "Extensores de joelho D: 3 → 4 desde a última reavaliação; já sobe escada com corrimão." Força sem função ao lado é número solto.
E reavalie em datas previsíveis. A cada quatro ou seis semanas, ou quando algo muda no quadro. Para o resto do texto da sessão, veja como escrever a evolução de fisioterapia.
No Fisioly
Na avaliação neurológica do Fisioly há uma tabela de força muscular pela escala MRC de 0 a 5, com lado direito e esquerdo para os principais movimentos de membro superior e inferior. Cada campo começa vazio; o que você não testou fica sem número, em vez de virar zero.
Limitações: a tabela usa números inteiros, sem 4− ou 4+ (se você usa, escreva na observação), e nas outras especialidades a força vai no texto. O sistema também não faz gráfico automático da força ao longo das reavaliações; elas ficam em ordem de data para você comparar.
Tabela de força pronta na avaliação
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O que significa força muscular grau 3?
Na escala MRC, grau 3 é movimento completo contra a gravidade, sem nenhuma resistência adicional. É o grau mais objetivo da escala.
Qual a diferença entre grau 4 e grau 5 de força?
Grau 4 vence a gravidade e alguma resistência; grau 5 é considerado força normal. O teste manual tem pouca sensibilidade nessa faixa, e um dinamômetro ajuda quando a diferença importa.
Escala MRC e escala de Oxford são a mesma coisa?
Na prática clínica brasileira os nomes costumam ser usados para a mesma graduação de 0 a 5. Algumas versões acrescentam sinais de mais e menos.
Como registrar força muscular no prontuário?
Na avaliação, em tabela com movimento e lados direito e esquerdo. Na evolução, o grupo acompanhado, a mudança desde a última medida e a função relacionada, como subir escada ou levantar da cadeira.
Fontes e referências
- Medical Research Council: Aids to the examination of the peripheral nervous system (UKRI)Origem da escala MRC de força muscular.
- PubMed: confiabilidade do teste manual de força muscularVariação entre avaliadores e limite nos graus altos.
- Resolução COFFITO nº 414/2012: registro em prontuário pelo fisioterapeutaAvaliação, evolução e reavaliação no prontuário.